Estamos vivendo uma das maiores crises financeiras e uma seca desesperadora que a muitos anos não tínhamos vivido. O semiárido baiano praticamente foi dizimado a nossa pecuária teve baixas enormes, como vamos viver daqui para frente? Como vamos recuperar um setor que representa um PIB forte? como vamos poder nos erguer com tantas perdas e descapitalizados. A Bahia gozava de um senário expressivo no quadro nacional, temos uma agricultura forte e uma pecuária expressiva com grandes criadores que representavam a qualidade genética fora do nosso Estado, mostrando o quanto estávamos a frente de muitos Estados. Hoje vivemos uma situação de calamidade, municípios completamente destruídos com seus habitantes migrando para outros Estados em busca de trabalho.
A quem podemos responsabilizar por esta catástrofe? Ao Governo? As entidades que nos representam? Não podemos responsabilizar, mas podemos cobrar daqueles que nos representam para intercederem diante das autoridades meios de recursos imediato ou futuro para darmos seguimento ou digo para podermos recuperar nossa posição.
Até o momento não vi um manifesto da nossa instituição que nos representa a fim de fazer qualquer coisa para mostrar pelo menos a sua presença e estar pelo menos ao lado daqueles que não sabem mais o que fazer. Estive a pouco tempo visitando a região de Itaberaba aonde tenho uma propriedade em processo de venda e fiquei estarrecido com a situação que encontrei, fazendeiros entregando seu rebanho a especuladores para devolverem a metade do que foi dado, não as arrobas mas sim a metade daquilo que ele lutou sua vida toda para construir, agricultores no setor do abacaxi dizimando suas roças para poder manter o seu gado, especuladores vendendo ração ou digo varreduras das lavouras onde foram favorecidos com as bençãos de DEUS, subindo o preço a cada dia como se fosse um regulador das necessidades daqueles pobres coitados.
Agora digo, para que pagarmos impostos, sindicatos e etc.? Se nada se resolve em uma situação calamitosa destas. Quanto se tem uma representatividade que é feita pelo produtor, aquele que hoje está de cuia na mão, todos estão presentes, para comemorar como fossem eles os responsáveis por este ou aquele sucesso.
Na realidade não temos representatividade nenhuma, temos os aproveitadores de momentos como cito acima nos eventos. A miséria se instalou no campo de uma maneira tal que fazendeiros hoje viraram favelados do campo desiludidos com aquilo que só sabem fazer. Esperamos que haja sensibilidade e responsabilidade daqueles que nos dizem representar, estamos na mão do destino, como se diz: salve-se quem puder ou a quem conseguir baterei palmas.
Sem mais para o momento, esperando que com esse desabafo, se tomem alguma atitude, sei que vão apresentar recursos conseguidos, mas que não cobrem nem a metade da necessidade de um município. Bahia hoje no setor animal não exporta nem lagartixa que dirá produção animal.
Antônio Carlos
Pecuarista

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