Questão indígena: Blog de Reinaldo Azevedo (o de maior audiência do país) mostra reportagem de João Batista Olivi

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Deputado entrega requerimento para CPI da Funai com mais de 250 assinaturas; mais uma fazenda é invadida; proprietária relata seu drama

O deputado Alceu Moreira (PMDB-RS) conseguiu coletar mais de 250 assinaturas e entregou à Mesa da Câmara, nesta quarta, o requerimento pedindo a instalação da CPI da Funai. A fundação, ligada ao Ministério da Justiça, passou a atuar como uma organizadora e insufladora de invasões de propriedades rurais. A situação no Mato Grosso do Sul é especialmente explosiva. A ministra Gleisi Hoffmann (Casa Civil) já afirmou que o governo pretende envolver outras áreas da administração no processo de demarcação de reservas indígenas. Entidades que ajudam a promover a baderna no campo passaram a hostilizar a ministra. Um exemplo é a nota cretina emitida pela Comissão Pastoral da Terra, da CNBB, contra Gleisi. O PT, de hábito, sai em defesa de seus condenados por corrupção ativa, peculato e formação de quadrilha. Mas se calou diante dos ataques feitos a Gleisi. Parece que petista bom é petista encrencado com a Justiça…
Pois é… O único setor da economia que impede o país de ir para o buraco tem de enfrentar as invasões do MST — essencialmente feitas com dinheiro público — e do índios, patrocinada pela Funai. Nos dos casos, o onguismo, nacional e internacional, oferece suporte para a causa. Nos dois casos, a maior parte da imprensa escolhe um lado: contra o dos “ruralistas” — nome que, insisto no que já escrevi aqui certa feita, carrega certa carga de preconceito. Para mim, o contrário de “ruralista” é “urbanista”… Adiante. Há pouco mais de 500 mil índios vivendo nas reservas, que já ocupam 13% do território brasileiro, o que corresponde a 1,105 milhão de quilômetros quadrados. De novo: pouco mais de 500 mil índios vivem numa área correspondente a:
- 26,6 Holandas (a Holanda tem 16,6 milhões de habitantes);
- 11 Portugais (Portugal tem 10,5 milhões de habitantes)
- 2,1 Espanhas (a Espanha tem 47,3 milhões de habitantes);
- 2 Franças (a França tem 65,5 milhões de habitantes).
Acha pouco
Ocorre que a Funai acha pouco. Na gestão da senhora Marta Maria do Amaral Azevedo (já falo do ambiente, digamos, intelectual em que ela vive), os índios receberam uma espécie de carta branca para praticar invasões, especialmente no Mato Grosso do Sul.
Outra invasão
Leiam trecho do texto publicado no site da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil). Volto em seguida.
*
A fazenda Buriti, localizada em Sidrolândia (MS), de propriedade do ex-deputado estadual Ricardo Bacha, foi invadida por um grupo de indígenas na manhã desta quarta-feira. Segundo a proprietária Jucimara Bacha, que estava no local no momento da invasão, cerca de 200 homens armados, entre indígenas e não indígenas, invadiram a Querência São José, vizinha da propriedade no início da madrugada desta quarta-feira (15). O segurança foi rendido, amarrado e espancado pelos invasores, que o mantiveram sob a mira de uma arma.
Após invadir a Querência, por volta das 4h30, os invasores foram até a Fazenda Buriti, de 300 hectares, onde iniciaram tiroteio. “Foi uma gritaria e muitos tiros. Eles estão preparados para uma guerra”, declarou Jucimara.
Ricardo Bacha está em Brasília, junto com a diretoria da Federação da Agricultura e Pecuária de MS (Famasul), para uma reunião marcada para hoje com o vice-presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A reunião tem justamente o objetivo de pedir, mais uma vez, a ação do Governo Federal em relação aos conflitos causados pelas invasões de propriedade em todo o país e tem a participação de lideranças de Mato Grosso do Sul e outros dez estados brasileiros.
(…)
Voltei
O programa “Notícias Agrícolas”, do Canal Rural, falou com Jucimara nesta quarta. Vejam. Volto para encerrar.

Encerro
No próximo post, vocês vão entender como parte desse baguncismo tem abrigo no próprio Palácio do Planalto, anda que a presidente Dilma Rousseff demonstre insatisfação com o “trabalho” da Funai. Se está insatisfeita mesmo, demissões têm de acontecer. E não apenas na Funai. Ouçam ali  que diz Jucimara. Os invasores chegam, botam pra quebrar, e o proprietário não tem a quem recorrer, já que a questão indígena é federal. Não custa lembrar: o Ministério da Justiça, do garboso José Eduardo Cardozo, manda na Funai — que, na prática, comanda a invasão — e na Polícia Federal, que deveria impedi-la. 
Por Reinaldo Azevedo

Você sabia, leitor, que um homem liga a guerra dos índios contra as propriedades rurais à tentativa de promover uma carnificina no Pinheirinho? Seu nome é Paulo Maldos, homem de confiança de Gilberto Carvalho

Vejam este homem.
 
Seu nome é Paulo Maldos. Ele segura uma bala de borracha. Um desses especialistas em “criminal minds”, que se dedicam a interpretar esgares faciais, não teria dificuldade em ver ali a expressão da satisfação, do gozo cínico, do cálculo. Quem é esse? Já chego lá.
Os proprietários rurais podem se preparar para uma longa jornada. Estão lidando com profissionais do conflito. Estão lidando com pessoas treinadas para promover o confronto e que não, não têm limites. Em nome da causa, são capazes de tudo. De quem estou falando? De muita gente, mas especialmente de Maldos, aquele lá da foto, secretário nacional de Articulação Social da Secretaria-Geral da Presidência da República. Ou por outra: ele é o braço-direito de Gilberto Carvalho, o espião de Lula no governo Dilma. Foi Carvalho quem indicou Marta Maria do Amaral Azevedo para a presidência da Funai. E quem é Marta Maria? Ex-mulher de… Paulo Maldos! Como vocês podem notar, trata-se de uma verdadeira… tribo!!! Não por acaso, há dois dias, quando circularam boatos de que Dilma estaria insatisfeita com o trabalho da Funai, foi Carvalho quem garantiu que Marta continua no cargo. Carvalho é o cacique. Maldos é o pajé. Marta é o instrumento. Maldos manda na Funai mais do que Dilma. Sim, caros, eu já vou falar sobre o Pinheirinho.
Na condição de “secretário nacional de Articulação Social”, cabe a Maldos, apelando àquela estranha linguagem que se fala por lá, “conversar” com os movimentos sociais. Essa “conversa” assume um sentido muito particular: na prática, o governo organiza e financia os ditos movimentos sociais, inclusive o dos índios. Maldos foi, por exemplo, o coordenador-geral do grupo de trabalho criado pelo governo federal para promover a desocupação de uma região chamada Marãiwatséde, em Mato Grosso.
Vamos ver como Maldos trabalha. Nessa área, havia uma fazenda chamada Suiá-Missú, que abrigava, atenção, um povoado chamado Posto da Mata, distrito de São Félix do Araguaia. Moravam lá 4 mil pessoas. O POVOADO FOI DESTRUÍDO. Nada ficou de pé, exceto uma igreja — o “católico” Gilberto Carvalho é um homem respeitoso… Nem mesmo deixaram, então, as benfeitorias para os xavantes, que já são índios aculturados. Uma escola que atendia a 600 crianças também foi demolida. Quem se encarregou da destruição? A Força Nacional de Segurança. Carvalho e Maldos foram, depois, para a região para comemorar o feito. Republico este vídeo que mostra o que restou daquela comunidade.
Maldos tem dito a interlocutores que não descansa enquanto 25% do território brasileiro não forem destinados a reservas indígenas. Tem dito também que a violência dos índios é compreensível porque isso é uma espécie de direito à rebelião. De novo: o Brasil já destina hoje aos pouco mais de 500 mil índios que moram em reservas (de um total de pouco mais de 800 mil) uma área correspondente a 26,6 Holandas, 11 Portugais ou duas Franças. Maldos quer 40 Holandas, 17 Portugais e 3,1 Franças para… 500 mil índios. Agora o Pinheirinho..
Pinheirinho
Paulo Maldos não é um qualquer. Trata-se, reitero, de um profissional do conflito — e não da resolução de conflitos. Vocês devem se lembrar da desocupação do Pinheirinho, no interior de São Paulo. A Justiça determinou — e não cabia contestação à ordem — a desocupação de uma propriedade. Carvalho e Maldos acompanhavam tudo de perto. A Polícia Militar não podia mandar a Justiça às favas. Tinha de cumprir a ordem. O governo federal poderia ter resolvido tudo com uma assinatura: bastava desapropriar o terreno. Não o fez. Ficou esperando o conflito. Esperando? Não! Fez um pouco mais do que isso.
No dia da desocupação, adivinhem quem estava lá, ajudando a organizar a “resistência” dos invasores? Acertou quem chutou “Paulo Maldos”. Depois ele veio a público, com grande estardalhaço, anunciar que tinha sido atingido por uma bala de borracha. ATENÇÃO: ELE SE NEGOU A FAZER EXAME DE CORPO DELITO. Saiu a exibir uma bala de borracha por aí, dizendo ter sido atingido por um artefato daquele e posando de herói.
Sim, uma tragédia poderia ter acontecido. Não aconteceu. Forças do oficialismo chegaram a denunciar ao mundo a existência de mortos e desaparecidos. Era tudo mentira.
Volto à foto lá do alto. No dia 30 de janeiro de 2012, escrevi um post a respeito. Reproduzo em azul. Vale a pena ler. Volto depois.
*
Foi publicada na edição de sábado do Estado. Este que aparece aí é Paulo Maldos, assessor do ministro Gilberto Carvalho. Isso que ele tem na mão, que exibe por aí como um troféu nas mais variadas circunstâncias (vocês verão), é uma bala de borracha que, segundo ele, o atingiu durante a reintegração de posse do Pinheirinho.
A imagem NUNCA DIZ MAIS DO QUE MIL PALAVRAS. A imagem pode sintetizar milhões delas, que, ainda assim, precisam ser ditas e escritas para que tenhamos ainda mais clareza do objeto tratado.
Olhem a cara de Maldos.
Insatisfação?
Indignação?
Dor?
Fúria?
Rancor?
Revolta?
Não!
O nome do que se vê acima é prazer!
Se, agora, fosse o caso de evocar Freud, teria de visitar os meandros do masoquismo — o homem que se afeiçoa ao instrumento que o machuca. Mas é bom deixar o doutor de lado. Isso está mais para Marx — um Marx mixuruca, mas está. Aquele rosto que se vê ali é de vitória. Voltem lá. O que fazem aqueles olhos voltados sabe-se lá para onde? Ele posa para o fotógrafo, mas mira uma outra coisa. Nota à margem: também ele exibe aquela aliança ou anel preto, que vejo nas mãos de muitos “progressistas”. O que significa? Não tenho a menor idéia. Vai ver esquerdistas nascem com predisposição para anéis pretos… Se alguém tiver alguma explicação melhor…
Já que ninguém perguntou, então pergunto eu: o que fazia Maldos em plena madrugada de domingo, lá no Pinheirinho? “Ah, estava lá para proteger a população”, poderiam responder o militante e o ingênuo. Mas proteger do quê? “Ora, Reinaldo, da reintegração de posse!” Ah, havia a decisão da reintegração, certo?, de cumprimento obrigatório pela Polícia Militar? Então Carvalho e Maldos sabiam que ela iria acontecer, como sabiam os tais “líderes” do Pinheirinho, mas engabelaram os moradores, mantendo-os na ignorância.
Eis aí. Parece que o objetivo era mesmo usar o lombo dos pobres em benefício de uma causa política.
Ora, todo mundo sabe que uma operação de ocupação envolvendo três mil pessoas (nem 9 mil nem 6 mil) tende mesmo a ser conflituosa, especialmente quando há a disposição para reagir à ação da polícia. Ainda assim, não houve o esperado “massacre”.
Pergunto: o que distingue, nesse caso, o trabalho de Maldos do de um agitador qualquer? Em que ele se diferencia de um agente infiltrado, disposto a investir no quanto pior, melhor? Carvalho falta com a verdade de modo absoluto ao afirmar que estavam em curso “negociações”. Não estavam mais! Isso a juíza já deixou claro de modo insofismável. Elas já haviam sido encerradas. Também estava definida a incompetência da Justiça Federal para cuidar do caso.
Os moradores do Pinheirinho, em suma, estavam à mercê de oportunistas, que se prepararam para o banho de sangue que não houve. E a operação “de resistência”, àquela altura, estava sendo coordenada, como se vê, pelo gabinete de Gilberto Carvalho, assim como o de Maria do Rosário comandou a tentativa de sabotagem à retomada da área em que ficava a cracolândia — essa operação apoiada por 82% dos paulistanos.
Este Maldos ser apresentado como uma vítima ou herói do Pinheirinho é evidência da degradação intelectual de consideráveis setores do jornalismo. E não que ele tente disfarçar, não é mesmo? Ele posou (Emir Sader escreveria “pousou”) para outras fotos. Numa delas, não resiste e ri a pregas soltas, como se diria em português castiço, sempre com a estrovenga na mão.
Encerro
Os proprietários rurais estão sendo vítimas do trabalho organizado de agitadores profissionais que hoje estão aboletados no estado. Vejam lá o que fez o governo federal em Posto da Mata, em são Félix do Araguaia. Esse será o destino de centenas de propriedades rurais e vilarejos se os celerados não forem contidos.
Um dia a presidente Dilma será lembrada pela história como aquela em cujo governo uma vila de 4 mil habitantes, tamanho, quero crer, de centenas (quem sabe, mais de milhar) de cidades brasileiras, foi destruída por ordem do estado brasileiro.
Dito de outro modo: o governo que se orgulha de distribuir casas no Programa Minha Casa Minha Vida destrói a moradia daqueles que conseguiram prover seu próprio sustento e erguer seu próprio teto sem ajuda oficial.
O modelo exige um povo grato, sorridente, humilde, de joelhos. Se estiver de pé, o governo chega para humilhá-lo com a marreta e o trator. Ao volante, Gilberto Carvalho e Paulo Maldos.

Por Reinaldo Azevedo


50 tons de fascismo – Em evento do PT a que Dilma comparece, Lula ataca e imprensa, e Falcão e Tarso Genro ameaçam o jornalismo livre; a presidente preferiu chutar a oposição e os pessimistas
É… Eles não estão para brincadeira. Se vão conseguir o que pretendem, isso não sei. Ontem foi a vez de Porto Alegre receber a caravana do PT para comemorar os 10 anos do partido no poder. A presidente Dilma Rousseff compareceu, o que é o fim da picada. Coisas assim, que eu saiba, são inéditas no mundo democrático. A razão é simples: como o pressuposto da democracia é a possibilidade de haver alternância no poder, partidos não comemoram a não alternância, ainda que tenha sido essa a vontade do eleitor. Mas vá lá. Isso é o de menos. Requer certo requinte teórico para ser percebido e um compromisso essencial e, ousaria dizer, ancestral com a democracia. Não era o caso ali de nenhum dos presentes. Lula discursou. E abusou da bobagem e da falta de lógica, mesmo quando se é Lula. Leiam esta fala, segundo transcreve Flávio Ilha, no Globo.
“Eles (a mídia e a oposição) vivem exilados dentro do Brasil. Não estão compreendendo o que está acontecendo no Brasil. Por isso estamos caminhando fortemente para que Vossa Excelência seja presidente por mais quatro anos”.
Lula se refere a Dilma. Leiam de novo. Ele não sabe o que é uma locução conjuntiva conclusiva. Mas as locuções conjuntivas conclusivas continuam a existir, a despeito de sua ignorância. Vejam lá. Para o Apedeuta, a “mídia” e a oposição não compreendem o que acontece no Brasil. E então conclui: “por isso” Dilma será reeleita. A constatação inescapável: caso mídia e oposição tivessem, então, a devida compreensão, a presidente estaria enfrentando mais dificuldades… Como expressão da realidade, isso não faz sentido. No terreno da vigarice política, a fala se explica: o chefão do PT quer empurrar a imprensa para o terreno dos “derrotados” eleitorais — exceção feita, é evidente, aos veículos que puxam o saco do partido.
Rui Falcão, presidente nacional do PT, com a graça habitual e o pensamento sofisticado que tão bem o caracteriza, exibiu ao menos uma virtude: não tentou enganar ninguém. Pregou abertamente o controle da imprensa:
“Nossa missão fundamental é a reeleição da presidente Dilma, para que consolidemos nosso segundo grande salto e tornemos determinadas conquistas irreversíveis. Considero que as opiniões não podem ser de pensamento único dos grandes meios (de comunicação) monopolizados. Não é censura, mas não há como aprofundar a democracia com os conceitos dos proprietários e dos acionistas de jornais”.
Voltei
Entendi. Se é impossível “aprofundar a democracia com os conceitos dos proprietários e acionistas dos jornais”, entendo que essa consolidação terá de se dar sem eles, certo? Talvez Falcão tenha em mente, assim, uma coisa à moda venezuelana, equatoriana ou argentina…
Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul, o poeta do sêmen derramado, não se conteve:
“A oposição está sem rumo e sem projeto. E, quando a direita está sem projeto e se vê perdida, apela para a desconstituição da democracia até com atos de força ou para a manipulação da opinião pública por meio de grandes grupos monopolistas de mídia. Tenho certeza que vamos avançar porque estamos bem liderados”.
Comento
Alguém poderia me reportar algum ato “da direita” de “desconstituição da democracia” nos dias de hoje? Que eu saiba, quem está tentando cassar prerrogativas do Supremo Tribunal Federal é o PT. Quem saiu vociferando contra uma pobre blogueira cubana, impedindo-a de falar, foi o PT.
“Grupos monopolistas”? Onde está o monopólio? De quê? Especialmente em tempos da Internet, quem é dono da opinião? O PT, sim, se esforça par encabrestar a opinião. Todo mundo sabe que o dinheiro público, por meio de estatais e da administração direta, financia uma rede de difamação na Intenet, cuja tarefa é falar bem do partido e de seus aliados e difamar a oposição e a imprensa independente.
Digamos que a imprensa fosse mesmo antipetista… É mentira! Na média, vocaliza o pensamentos da esquerda, vamos dizer, “modernizada”. Insisto na hipótese: ainda que fosse, o PT ficará pelo menos 12 anos no poder, com boas chances de emplacar mais quatro anos. Ora, não é o próprio Lula a dizer que essa imprensa está “exilada”, a sustentar a sua irrelevância, a garantir que ela quer uma coisa, e o povo, outra? Logo, controlar o quê e pra quê?
É aí que bate o velho espírito totalitário, a única herança genuinamente esquerdista que os petistas conservaram: eles não querem crítica nenhuma. Eles querem silenciar os adversários — extingui-los se possível. Mas a imprensa é essa adversária? Ora, o jornalismo que se preza é inimigo não do PT, mas do autoritarismo.
Finalmente, Dilma
A presidente não fez bonito duas vezes: ao comparecer ao evento, absurdo em si, e ao fazer um discurso que ecoa, vejam que curioso!, a antiga linha dura do Regime Militar. Leiam a sua fala:
“Fazem o papel de pessimistas sistemáticos. Ao contrário deles, a visão sobre o Brasil é muito mais realista porque percebe o imenso potencial que temos. Fomos o país que durante a crise mais emprego criou no mundo, fato reconhecido pelo FMI. Um dos pratos prediletos de crítica é a fragilidade da Petrobras. Mas é extraordinário que (a estatal) tenha captado US$ 11 bilhões no mercado internacional a taxas baixas, o que é um reconhecimento à força da Petrobras.”
A presidente se referia às oposições daqui e à suposta visão que os estrangeiros têm do Brasil. Como esquecer o lema com que a linha dura militar tentou desmoralizar “os pessimistas” durante a ditadura? Vai a imagem:

Caminhando para a conclusão
Os petralhas me enviam dezenas de mensagens, todos o dias, me convidado cair fora do Brasil: “Se você não gosta do país, cai fora”.  Sim, sim, Dilma também reclamou da imprensa, com menos contundência.
Não, um evento dessa natureza não seria possível em nenhuma democracia do mundo. Tampouco um presidente se reuniria com seu antecessor e correligionário, em companhia da cúpula do partido, para demonizar a oposição e a imprensa, tratadas como sabotadoras do país.
É o comportamento desses luminares na democracia que nos dá uma pálida ideia do que teriam feito se tivessem sido bem-sucedidos (eles próprios ou seus antecessores ideológicos), no passado, em seu esforço de instaurar o Brasil uma ditadura comunista.
O fascismo, a exemplo do socialismo, não existe mais como ideia pura. Ambos foram ganhando, com o tempo, novos contornos. Acima, vão alguns dos tons do fascismo — ou do socialismo, tanto faz; eram irmão siameses.
Os donos de jornais que se cuidem. O presidente do PT está tornando a ameaça mais ampla. Se alguém acha que eles se contentariam apenas em dividir as Organizações Globo, eis um ótimo momento para renunciar à inocência. A famigerada Lei Falcão, aquele ministro do regime militar, seria brincadeira de criança perto de uma que seguisse os voos teóricos do Falcão do PT.
Por Reinaldo Azevedo

As mentiras oficiais no leilão bem-sucedido para a exploração de petróleo. Ou: O PT provocou um atraso de cinco anos no setor

Oposição faz falta às democracias. Sem aquela, estas vão virando ditaduras do consenso ou da mentira. O governo comemorou com foguetório o sucesso do leilão de novas áreas para a exploração de petróleo. “Recorde”, gritou-se. Sem dúvida! Leiam o que a VEJA.com informou. Volto em seguida.
Após cinco anos sem fazer nenhum leilão, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) começou nesta terça-feira a 11ª Rodada de Licitações. Em seu primeiro dia de licitações, a agência já arrecadou 2,8 bilhões de reais, um novo recorde. O valor supera o recorde anterior, de 2,1 bilhões de reais, da 9ª rodada de concessões realizada em 2007, e superou com um dia de antecedência a meta inicial de que o montante somasse entre 2 bilhões de reais e 2,5 bilhões de reais. A ANP já licitou áreas nas bacias de Parnaíba, Foz do Amazonas, Barreirinhas, Potiguar, Espírito Santo, Ceará e Pará-Maranhão.
Empresas como Petrobras, OGX, Petra Energia, Ouro Preto, Queiroz Galvão e as estrangeiras Total, BP, BHP Billiton, Galp e BG apareceram como as principais vencedoras das disputas. O maior lance na primeira parte do leilão foi feito pelo consórcio formado pela francesa Total, a britânica BP e a Petrobras, por um bloco na Foz do Amazonas: 345,9 milhões de reais. A concessão dos oito blocos ofertados na região custou, no total, mais de 750 milhões de reais.
Na avaliação do governo, o intervalo de cinco anos desde a última licitação de áreas de exploração fez com que houvesse uma valorização das áreas que estão sendo ofertadas. “Nunca vimos nada parecido”, disse o secretário de Petróleo do Ministério de Minas e Energia, Marco Antônio Martins Almeida, em entrevista à Reuters, durante o leilão.
Voltei
Pois é… E por que o governo ficou cinco anos sem fazer leilão nenhum? Ah, porque a palavra de ordem era substituir o antigo modelo de concessões pelo de partilha, que passou a vigorar no caso do pré-sal. E o país ficou parado, sem fazer leilão nenhum. Agora fez. E, por incrível que pareça, seguiu o mesmo modelo que vigorava no governo FHC: o de concessão. As empresas se interessaram e pagaram um ágio grande. Essas áreas licitadas ontem não têm nada a ver com o pré-sal, mas um modelo contaminou o outro.
E como a governo justifica esses cinco anos sem fazer contrato nenhum? Ah, diz que foi até bom porque, assim, as áreas de valorizaram. É embromação! O sucesso do leilão de ontem esconde cinco anos de atraso.
Por Reinaldo Azevedo

Evidências jogam o escândalo no colo dos irmãos Viana, imperadores do Acre há 14 anos

Desde 1999, o Acre é governado por um mesmo grupo, liderado pelos irmãos Viana — Jorge e Tião —, com o apoio dos fiéis de Marina Silva. Atenção! Eu não estou dando relevo ao fato de que o estado é governado pelo mesmo partido, o PT. Eu estou me referindo é ao grupo. Ao fim da gestão de Tião Viana, em 2014 (e ele poderá concorrer à reeleição), serão 16 anos de poder absoluto exercido pela dupla. Jorge ficou no comando entre 1999 e 2006. Houve, é verdade, um interregno. Em 2007, quando se elegeu o também petista Binho Marques. Sempre foi um, como chamarei?, fiel servidor da fraternidade. Por alguma razão jamais esclarecida, considerou-se que não poderia concorrer à reeleição. Afinal, era a hora de passar a guarda para o outro irmão, o Tião. A eleição foi apertada, quase no olho eletrônico: ele obteve 50,51% dos votos. Há um descontentamento nada latente com a turminha…
Muito bem! Uma operação da Polícia Federal desbaratou um pesado esquema de corrupção no estado. Um sobrinho dos irmãos Viana é um dos 14 presos. Os petistas costumam ser hábeis, não é? Vamos ver como será desta vez. Duas reportagens vindas a público nesta terça indicam que a situação começa a ficar desconfortável para o governador. Leiam trecho da reportagem de Ricardo Brandt e Itaan Arruda, no Estadão. Volto depois.
*
Grampos da Operação G7 da Polícia Federal interceptaram um telefonema do governador Tião Viana (PT) para o empreiteiro e ex-presidente da Federação das Indústrias do Acre (Fieac) João Francisco Salomão, preso ao lado de outras 14 pessoas suspeitas de fraudar licitações de obras no Estado. Entre os presos na sexta-feira passada está um sobrinho do governador. Na conversa gravada pela PF com autorização judicial, o governador — que não é alvo das investigações — avisa o investigado sobre uma linha de crédito bancário em Sergipe “sem garantia da obra” e “sem amarras”. Segundo o inquérito da PF, a conversa descrita no tópico “Linhas de crédito para capital de giro para as empresas do cartel” evidencia que os empreiteiros presos “tinham proximidade com o poder público”.
Além do sobrinho do governador, Tiago Viana, que é diretor de Análises Clínicas da Secretaria do Estado de Saúde, foram presos na operação o secretário de Obras, Wolvenar Camargo, o diretor-presidente do Departamento de Pavimentação e Saneamento, Gildo César (que tem status de secretário), o ex-secretário de Habitação, Aurélio Cruz, exonerado no início do ano, e o secretário adjunto de Desenvolvimento e Gestão Urbana da prefeitura de Rio Branco, Assuranipal de Mesquita. Dos 15 presos na operação, pelo menos nove são homens de confiança do governador e do ex-governador e atual senador Jorge Viana (PT-AC) — que também não figura entre os investigados.
(…)
Voltei
Há mais presos próximos de Tião Viana do que mensaleiros e aloprados próximos de Lula, não é mesmo?, aquele que nunca sabe de nada. POR QUE DIABOS UM GOVERNADOR DE ESTADO LIGARIA PARA UM EMPREITEIRO PARA AVISAR SOBRE UM CRÉDITO DISPONÍVEL NUM BANCO PÚBLICO SEM EXIGÊNCIA DE OBRAS E CONDICIONANTES? Não tenho a menor ideia. Procurei a explicação de Tião Viana e não encontrei.
Na Folha, forma Fernando Mello:
O governo do Acre, comandado por Tião Viana (PT), era “leniente” com as empresas que participaram de suposta fraudes em licitações no Estado, segundo relatório da Polícia Federal entregue à Justiça. A Folha teve acesso ao documento de 400 páginas. Na sexta-feira passada (10), a PF deflagrou a operação G-7, que prendeu funcionários públicos e empresários. Entre os detidos estavam o secretário de Obras do governo estadual, Wolvenar Camargo, e um sobrinho do governador, Tiago Viana Paiva, diretor de Análises Clínicas da Secretaria Estadual de Saúde.
Em diálogo gravado pela PF em 05 de dezembro de 2012, às 15h19, Wolvenar fala da obra de um hospital orçada em R$ 51 milhões e cobra que os empresários se organizassem para escolher o vencedor antes da licitação. A maior preocupação do secretário, de acordo com o diálogo, era terminar a obra antes da eleição de 2014. A PF escreveu que a “existência do cartel é reconhecida pelo próprio secretário de Obras do governo do Estado do Acre”. O relatório da PF descreve que empresas de fora do Acre foram inabilitadas na licitação. Apenas duas empresas ligadas ao cartel, segundo a polícia, foram puderam disputar. Ainda segundo a PF, o edital previa originariamente a participação de consórcios, mas o governo alterou a regra para proibir a participação desses consórcios. Para os policiais responsáveis pelo relatório, essa foi uma “forma de restringir a concorrência”.
(…)
Retomo
Convenham: tem aparência de gato, mia como gato, comporta-se como gato… O conjunto das evidências sugere que estamos diante de um… gato! Os petistas vão tentar demonstrar que não, que se trata de pavão, jaguatirica, tucano, sei lá eu.
O escândalo, é inegável, estoura no colo dos irmãos Viana, que são, há 14 anos já, os novos imperadores do Acre.
Por Reinaldo Azevedo

Governo Obama viola sigilo telefônico de jornalistas, e porta-voz é obrigado a reforçar crença do presidente dos EUA na liberdade de imprensa. Um vexame!

Eita! Tivesse acontecido este outro escândalo no governo de George W. Bush, a esta altura o mundo estaria inundado de análises demonstrando que os EUA haviam se transformado numa ditadura, que não respeitam a liberdade de imprensa etc. Como, no entanto, o absurdo se dá na gestão Obama, tudo é visto como um deslize, que, claro!, não atinge a imagem do presidente. A que me refiro? O governo americano andou espionando o trabalho de jornalistas. É isso mesmo, sem tirar nem pôr. Leiam o que vai na VEJA.com.
*
Um país como os Estados Unidos, com democracia estabilizada, não deveria passar por uma situação na qual o presidente é obrigado a reforçar sua crença na liberdade de imprensa – o que deveria ser óbvio. Mas, nesta terça-feira, os EUA tiveram um momento de Brasil. E o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, teve de ressaltar que Barack Obama segue acreditando firmemente na proteção aos direitos dos jornalistas e os apoia em sua “irrestrita liberdade” para a realização do jornalismo investigativo. Quando uma declaração desse tipo se faz necessária, é indício de que algo grave está em curso. Ela veio em resposta a mais um escândalo que atingiu o governo americano: a informação de que o governo se apropriou de registros telefônicos de jornalistas da agência de notícias Associated Press como parte de uma investigação sobre vazamento de informações.
O procurador-geral Eric Holder negou ter ordenado ao Departamento de Justiça a realização da interceptação e disse que a decisão foi tomada pelo vice-procurador-geral, James Cole. Holder também tentou defender a administração Obama, dizendo que o vazamento de informações que levou à interceptação estava relacionado a um assunto “muito grave”, que “põe os americanos em risco”. “Sou procurador desde 1976 e tenho de dizer que essa está entre as mais graves que eu já vi. Esse foi um vazamento muito, muito sério, e isso não é um exagero. Põe o povo americano em perigo. E tentar determinar quem é responsável por isso, na minha opinião, requer uma ação muito agressiva”.
As duras críticas feitas à violação da liberdade de imprensa pelo governo americano vieram de organizações da sociedade civil, grupos que representam jornalistas, congressistas republicanos e democratas. Todas se referiam à acusação feita pela AP nesta segunda-feira, afirmando que o Departamento de Justiça reuniu registros de mais de 20 linhas telefônicas usadas em sucursais da agência e também diretamente por repórteres. Buscavam saber como os jornalistas conseguiram informações para uma reportagem de 7 de maio do ano passado, que tratava de uma operação da CIA no Iêmen que impediu uma atentado da Al Qaeda, que pretendia explodir um avião com destino aos EUA. Cinco repórteres e um editor envolvidos com a reportagem tiveram seus registros telefônicos acessados.
Depois de enfatizar que Obama acredita na liberdade de imprensa, Carney acrescentou que o governo precisa garantir a confidencialidade de algumas informações. “Ele também está comprometido, como presidente e cidadão, com a questão de que nós não podemos permitir que vazem informações confidenciais que podem prejudicar a segurança nacional ou indivíduos”. Carney negou ainda que a Casa Branca estivesse envolvida na decisão de se apoderar dos registros da AP.
O escândalo é o terceiro a atingir a administração do democrata nos últimos dias. O governo também está envolvido com a ocultação de informações sobre ameaças terroristas que antecederam o atentado ao consulado em Bengasi, na Turquia, e com a perseguição do Fisco a grupos conservadores que se opõem às políticas de Obama.
Por Reinaldo Azevedo

Um artigo contra os fatos de Márcio Thomaz Bastos, advogado de mensaleiro, e José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. Não pega bem para um deles ao menos…

Ai, ai… Assim eu começo os posts quando me bate, assim, aquele misto de indignação e tédio diante da reiteração do absurdo. A Folha publica nesta terça um artigo assinado a quatro mãos, nesta ordem: Márcio Thomaz Bastos e José Eduardo Cardozo. Nem sempre o que vem depois é menos importante. No caso em espécie, é. Vamos ver. Bastos é ex-ministro da Justiça; Cardozo é o atual. Mas Bastos é também advogado de um dos protagonistas do escândalo do mensalão, comandado por um figurão do partido a que ambos pertencem, o PT. Cardozo deveria ser mais decoroso. Se o seu parceiro de artigo é, inegavelmente, um medalhão da advocacia criminal, também é, insisto, defensor de um dos protagonistas de um crime cometido contra a ordem democrática e contra o estado de direito. Est modus in rebus, senhor Cardozo.
O artigo é aparentemente anódino; há quem possa chamá-lo até de inócuo. Mas não para quem tem memória. E eu tenho. Até porque o assunto de que tratam começou a ser debatido em 1993. Nessa época, eu era editor-adjunto de política da Folha e acompanhava de perto os desdobramentos do tema para incluí-lo ou não na pauta. “Doutor Márcio”, o reverenciado, e Cardozo, o garboso, podem, como se diz em Dois Córregos, passar mel no beiço dos moços que ainda não têm memória. Aos 51, lembro que a única vantagem da maturidade, até que ela não se esvaia, é mesmo a… memória. Segue o artigo dos dois. Volto em seguida.
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Novos desafios à reforma do Judiciário
Há uma década, o governo Lula criava a Secretaria de Reforma do Judiciário (SRJ), no Ministério da Justiça, inaugurando uma nova forma de enfrentar os graves problemas da administração da Justiça. À época, poucos percebiam o potencial transformador da SRJ, que atingiu seu ápice na aprovação da emenda constitucional (EC) 45/2004. A nova secretaria teve papel político destacado nos trabalhos parlamentares para a reformulação das bases constitucionais da Justiça. Ali se iniciou o processo de reforma.
Apesar das resistências às inovações trazidas pela EC 45, é inegável que o Judiciário alcançou um novo patamar, como constatou esta Folha em editorial recente (“Insistir na reforma”, de 7/4). A grande transformação se alicerçou na criação dos órgãos de controle da magistratura (CNJ) e do Ministério Público (CNMP). O CNJ se consolidou como fiscalizador da conduta dos juízes e planejador administrativo da organização judiciária. Destacou-se atuando em temas sensíveis, como a proibição do nepotismo, e reavivou o princípio de que a Justiça deve servir ao cidadão, não a si mesma, por ser um serviço público essencial.
A EC 45/04 ainda merece elogios por realçar a autonomia da Defensoria Pública, melhorando as condições de acesso dos mais necessitados à Justiça. A proteção dos direitos humanos também foi reforçada, pois o julgamento de graves violações pode se deslocar à Justiça Federal quando necessário. Por meio de institutos, aumentou-se a segurança jurídica e diminuiu-se o volume de processos no STF (Supremo Tribunal Federal), permitindo que a Corte priorizasse a missão de guarda da Constituição. A duração razoável do processo foi reconhecida como mais um direito fundamental.
Nesses dez anos, várias leis processuais foram aperfeiçoadas, com a celebração de dois pactos republicanos. A iniciativa articulou os três Poderes para melhorar o funcionamento da Justiça. O desafio continua sendo superar os entraves ao pleno acesso à Justiça. Quanto menor o poder aquisitivo de quem busca seus direitos, maior a dificuldade para realizá-los. O excesso de processos demorados afasta o Judiciário dos que dele mais precisam.
A nova fase da reforma tem, portanto, dois objetivos centrais: ampliar o acesso à Justiça e modernizar a administração judiciária. Enfoca-se o sistema de Justiça como um todo, e não apenas o Poder Judiciário. É preciso tomar por referência o processo judicial eletrônico, contando com o apoio do CNJ. Os centros de mediação de conflitos também serão difundidos. No governo Dilma, a SRJ já vem se dedicando a essa tarefa, por meio de iniciativas como a Escola Nacional de Mediação e Conciliação.
Os novos desafios compreendem ainda fortalecer a Defensoria, vocacionada a representar os desfavorecidos em suas demandas inadiáveis. Nosso sistema de recursos também se beneficiará de uma organização mais racional, desde que não se comprometam os direitos fundamentais à ampla defesa, ao contraditório, ao duplo grau de jurisdição e ao devido processo legal. Trata-se de garantir maior efetividade às decisões de primeiro e segundo graus, de modo que os tribunais superiores possam se concentrar no desempenho de suas principais competências constitucionais.
O momento é de união de esforços, para superação dos problemas remanescentes. Faz-se indispensável a participação de magistrados, defensores, advogados, promotores, parlamentares, administradores públicos, pesquisadores e organizações da sociedade civil. Só assim o sistema de Justiça se tornará ainda mais acessível, democrático, rápido e eficiente, como querem e merecem os cidadãos brasileiros.
Voltei
Não estou certamente enganado ao entender que doutor Márcio tenta puxar para as gestões petistas, e para a sua em particular, aos avanços havidos no Judiciário. Qualquer operador do direito sabe que a interferência da Secretaria de Reforma do Judiciário foi igual ou inferior a zero. Os avanços se deram mesmo foi no Conselho Nacional de Justiça e não contaram com a intervenção de Bastos ou de órgãos a ele subordinados.
Como esquecer que o então ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, vocalizando a opinião da OAB, foi contrário a dois aspectos fundamentais daEmenda 45/2004, que trata justamente da reforma do Judiciário: o efeito vinculante e a repercussão geral, considerados hoje em dia vital para um funcionamento mais célere da Justiça. E vem agora puxar para si os avanços havidos no Judiciário??? É brincadeira!
Piada grotesca
Aliás, trata-se de uma piada grotesca haver no Ministério da Justiça, que é um órgão do Poder Executivo, uma secretaria para tratar da… “Reforma do Judiciário”!!! Que tal criar uma também para a Reforma do Legislativo? Aliás, por que o Executivo não cria uma comissão para SE reformar?
Estranho o artigo, um tanto melífluo a esta altura do campeonato. Quando um advogado de mensaleiro se junta com o ministro da Justiça para escrever um artigo sobre a Reforma do Judiciário, algo está fora da ordem. Muito pior quando o texto mais mistifica do que informa. Aliás, Cardozo poderia se ocupar de outras coisas.
Se o ministro está sem serviço, dou uma dica. Sob a sua alçada, no Ministério da Justiça, está, por exemplo, o Depen (Departamento Penitenciário Nacional). Brasil afora, juízes estão mandando condenados em regime fechado para casa porque não há onde alojá-los. Em vez de tomar conta do assunto, em parceria com os estados, a gestão petista prefere sair gritando por aí que o Brasil prende demais — ainda que milhares de mandados de prisão estejam por ser cumpridos. Caso venha a se ocupar do problema, talvez Cardozo possa vir a ser útil ao Brasil.
Por Reinaldo Azevedo

 

O Brasil precisa de mais Lobão, o roqueiro, e de menos Chico Buarque, o propagandista do regime

 


Não li o livro do cantor e compositor Lobão. Chama-se “Manifesto do Nada na Terra do Nunca”. Talvez não o lesse em outras circunstâncias. E não vai aqui juízo de valor nenhum. É que já cheguei à fase das releituras. “Arrogante! Reinaldo quer dizer que leu tudo ou que leu o bastante e que já está na segunda rodada…” Errado! Essa ambição, eu tinha aos 20 anos… Aos 51, a gente descobre a absoluta incapacidade não de ler tudo o que há (isso, desde sempre, esteve fora do horizonte); a gente descobre que não terá vida o bastante para ler tudo o que quer. A menos que se seja, como Rousseau, na definição de Fernando Pessoa, um “suíço, castelão e vagabundo”, que entrega os filhos para a assistência pública. Assim, é raro, sim, que eu leia coisa nova. Prefiro voltar às  que me escaparam nos livros que já conheço. Só por isso, então, talvez eu deixasse Lobão de lado. AGORA EU VOU LER. Chegam-me links de críticas de tal sorte cretinas a seu livro, com tal dose de violência, de preconceito, de burrice, de vigarice, de fascismo mesmo, que vou ler, sim! Não sei o que ele diz lá. Talvez eu discorde de um monte de coisa. É provável que sim! O que eu sei é que alguns patrulheiros — muitos deles compõem a súcia de vagabundos e preguiçosos sustentada por estatais — resolveram deixar o livro de lado para atacar o autor.
“Ah, mas também, onde já se viu falar aquilo de Chico Buarque?…” Pois é. Eu defendo que as pessoas façam uma livre apreciação até sobre Jesus Cristo. O Chico Jabuti estaria um degrau acima do Salvador? Eu sei a patrulha de que fui alvo quando afirmei que Niemeyer era metade gênio (o arquiteto) e metade idiota (o comunista de butique). E olhem que alguns amigos meus protestaram. Há quem considere o arquiteto ainda pior do que o “pensador” porque preso a uma visão stalinista do homem, da cultura e da arquitetura. Parecia que eu tinha roubado o pirulito da boca de uma criança pobre… Assim, vou ler o livro de Lobão. Agora eu considero que isso é um ato de resistência aos fascistas do estatismo.
Hoje, no Globo, o economista Rodrigo Constantino, que também não tem medo de comprar briga, escreve um artigo intitulado “Mais Lobão e menos Chico Buarque”. Assino embaixo. Segue a íntegra. Não se trata de uma apreciação estética, de uma valoração da obra de cada um — porque aí se mergulha nas dissensões de gosto. Esse é outro debate. Trata-se de reconhecer que o Brasil contemporâneo é carente de vozes que contestem o poder e o establishment. Já há artistas demais na fila para tocar instrumentos de sopro para o governo. Falta quem toque guitarra, violino, violoncelo… Segue o artigo de Constantino.
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A bundamolice comportamental, a flacidez filosófica e a mediocridade nacionalista se espraiam hegemônicas. Todo mundo aqui almeja ser funcionário público, militante de partido, intelectual subvencionado pelo governo ou celebridade de televisão, amigo. É o músico Lobão com livro novo na área. Trata-se de Manifesto do Nada na Terra do Nunca, e sua metralhadora giratória não poupa quase ninguém.
Polêmico, sim. Irreverente, sem dúvida. Mas necessário. As críticas de Lobão merecem ser debatidas com atenção e, de preferência, isenção. O próprio cantor sabia que a patrulha de esquerda viria com tudo. Não deu outra: fizeram o que sabem fazer, que é desqualificar o mensageiro com ataques pessoais chulos, com rótulos como reacionário ou roqueiro decadente. Fogem do debate.
Lobão tem coragem de remar contra a maré vermelha, ao contrário da esquerda caviar, a turma radical chic descrita por Tom Wolfe, que vive em coberturas caríssimas, enxerga-se como moralmente superior, e defende o que há de pior na humanidade. No tempo de Wolfe eram os criminosos racistas dos Panteras Negras os alvos de elogios; hoje são os invasores do MST, os corruptos do PT ou ditadores sanguinários comunistas.
O roqueiro rejeita essa típica visão brasileira de vitimização das minorias, de culpar o sistema por crimes individuais, de olhar para o governo como um messias salvador para todos os males. A ideia romântica do Bom Selvagem de Rousseau, tão encantadora para uma elite culpada, é totalmente rechaçada por Lobão.
Compare isso às letras de Chico Buarque, ícone dessa esquerda festiva, sempre enaltecendo os humildes: o pivete, a prostituta, os sem-terra. A retórica sensacionalista, a preocupação com a imagem perante o grande público, a sensação de pertencer ao seleto grupo da Beautiful People são mais importantes, para essas pessoas, do que os resultados concretos de suas ideias.
Vide Cuba. Como alguém ainda pode elogiar a mais longa e assassina ditadura do continente, que espalhou apenas miséria, sangue e escravidão pela ilha caribenha? Lobão, sem medo de ofender os intelectuais influentes, coloca os pingos nos is e chama Che Guevara pelos nomes adequados: facínora, racista, homofóbico e psicopata. Quem pode negar? Ninguém. Por isso preferem desqualificar quem diz a verdade.
Lobão, que já foi cabo eleitoral do PT, não esconde seu passado negro, não opta pelo silêncio constrangedor após o mensalão e tantos outros escândalos. Prefere assumir sua imbecilidade, como ele mesmo diz, e mudar. A fraude que é o PT, outrora visto como bastião da ética por muitos ingênuos, já ficou evidente demais para ser ignorada ou negada. Compare essa postura com a cumplicidade dos intelectuais e artistas, cuja indignação sempre foi bastante seletiva.
Outra área sensível ao autor é a Lei Rouanet, totalmente deturpada. Se a intenção era ajudar gente no começo da carreira, hoje ela se transformou em bolsa artista para músicos já famosos e estabelecidos, muitos engajados na política. Lobão relata que recusou um projeto aprovado para uma turnê sua, pois ele já é conhecido e não precisava da ajuda do governo. Compare isso aos ícones da MPB que recebem polpudas verbas estatais, ou que colocam parentes em ministérios, em uma nefasta simbiose prejudicial à independência artística.
O nacionalismo, o ufanismo boboca, que une gente da direita e da esquerda no Brasil, também é duramente condenado pelo escritor. Quem pode esquecer a patética passeata contra a guitarra elétrica que os dinossauros da MPB realizaram no passado? Complexo de vira-latas, que baba de inveja do império estadunidense. Dessa patologia antiamericana, tão comum na classe artística nacional, Lobão não sofre. O rock, tal como o conhecimento, é universal. Multiculturalismo é coisa de segregacionista arrogante.
No país do carnaval, futebol e novelas, onde reina a paralisia cerebral, a mesmice, o conformismo com a mediocridade, a voz rebelde de Lobão é uma rajada de ar fresco que respiramos na asfixia do politicamente correto, sob a patrulha de esquerdistas que idolatram Chico Buarque e companhia não só pela música.
Em um país de sonâmbulos, anestesiados com uma prosperidade ilusória e insustentável; em um país repleto de gente em busca de esmolas e privilégios estatais; em um país sem oposição, onde até mesmo Guilherme Afif Domingos, que já foi ícone da alternativa liberal, rendeu-se aos encantos do poder; o protesto de Lobão é mais do que bem-vindo: ele é necessário. Precisamos de mais Lobão, e menos Chico Buarque.
Por Reinaldo Azevedo
Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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